quinta-feira, 25 de junho de 2015

Escrevo o que quero, não o que querem que eu escreva. Serve assim? Ótimo! Não serve? Paciência!


Caros,

Deixem que lhes diga algumas coisas. O blog completa nove anos depois de amanhã. O arquivo está todo à disposição. Ao longo desse tempo, perguntem quando foi que mudei de ideia sobre prisão preventiva ou sobre justiça feita ao arrepio da lei, ainda que para pessoas que detesto. Eu escrevo tanto e me alongo no textos, avançando em minudências, porque me preocupo também com a precisão técnica.

Há muita gente inconformada com o que escrevi sobre a prisão preventiva de Marcelo Odebrecht, presidente do grupo que leva o nome da família. Aos inconformados de boa-fé, que querem diálogo ou saber mais, escrevo este post. Os que partem do princípio de que o jornalista está a serviço de causas estranhas, não resta alternativa outra: desistir do blog. Eu não perco meu tempo com gente em quem não confio. Há blogueiros precisando de apoio. Eu não mudo o que penso nem para ganhar leitores nem para conservá-los. Se muita gente vai ficar decepcionada, lamento, mas saibam: quando escrevo, eu jamais penso se os leitores vão gostar ou não, se vão aplaudir ou não, se vão vaiar ou não.

Em 2007, sabem que reproduziu um texto meu em seu blog? José Dirceu! Ele mesmo! O arquivo em que vocês encontram essa informação traz também o que penso a respeito desse senhor. Mas Dirceu escreveu lá:

“Uma opinião insuspeita: O colunista Reinaldo Azevedo é categoricamente contra minha anistia. Ideologicamente, ele e eu estamos em campos opostos. Mas ele reconhece que tenho o direito de pleitear a anistia. Vejam o que escreveu no seu blog: ‘Sou contra a anistia a Dirceu. Farei campanha contra ela se ele realmente tentá-la. Prometo encontrá-los em algum comício — se houver. Mas acho o fim da picada dizer que ele não pode pleiteá-la. No estado de direito, pode. Onde é que está escrito que não? A sociedade não aceita, não quer? Pois que se manifeste. E puna depois os promotores da ideia caso prospere. Eu detesto esse hábito muito nosso de decidir tudo na base do clamor público’”.

Esse cara sou eu. Quando a denúncia contra Dirceu foi rejeitada por sua suposta participação na trama que resultou na morte de Celso Daniel, escrevi aqui que a decisão era correta. Não havia, como não há, provas. Há uma diferença entre a minha convicção e as provas. E o Estado de Direito vive destas. Convicções, meus caros, as ditaduras também têm.

Sim, eu estudo direito de forma mais ou menos sistemática, na medida do meu tempo. E converso com muita gente que entende da área, a começar dos meus próprios advogados, né? Eu não entrei no mérito da inocência ou da culpa de Marcelo Odebrecht. Eu escrevi e sustento — e conversem com advogados e outros operadores do direito; conversa franca, sem ideologia ou interesses secundários — que as razões apontadas para a prisão preventiva são de uma fragilidade espantosa. E isso não impede que a PF e o MP tenham uma penca de provas contra a empreiteira. Que sejam apresentadas no tempo certo. Prisão preventiva não é antecipação de pena.

“Ah, está defendendo empreiteiro!!!” Eu estou pouco me lixando para o que dizem. Já foi mais difícil. Quem combateu arbitrariedades do delegado Protógenes e outros, no passado, foi acusado de defender Daniel Dantas. Se alguém estava, não sei. EU SEI QUE EU NÃO ESTAVA. Ganho a vida trabalhando 18 horas por dia, com três empregos. Em breve, terei o quarto. Cada um arque com o peso de suas escolhas. E que a verdade venha à tona. Nem sempre vem, infelizmente, mas a possibilidade sempre existe.

Cartel

No anúncio que publicou nos jornais, a Odebrecht contesta que tenha existido cartel. Também contesto a tese do cartel — desde que a operação começou. E daí? Vou mudar de ideia agora, depois do anúncio? Tenham paciência!

Sustentei e sustento que a tese do cartel interessa ao PT e aos larápios de maneira geral porque faz dos agentes públicos envolvidos na safadeza meras vítimas de empresários cúpidos. Ora, depois de tudo o que se sabe, depois das viagens do Brahma e outras divindades menores, alguém ainda ousa falar num conluio de empreiteiras? Havia compadrio, isto sim.

Digamos que a investigação não chegue a Lula — e, também nesse caso, é preciso haver provas… Mas digamos que não chegue: teremos todos de nos contentar com a versão de que o petrolão se deu em razão da associação de empreiteiros malvados com três diretores ladrões da Petrobras, com o auxílio de um abando de políticos de terceira linha.

Procurem o que significa “cartel”. Na outra ponta, existe uma vítima, que arca com o custo. Nesse caso, teria de ser a Petrobras, que era a contratante única e quem fazia o preço. Sim, esse argumento está no comunicado da Odebrecht. Mas esse argumento está neste blog desde abril do ano passado.

Penso o que penso, e não vou mudar para agradar “a”, “b” ou “c”. À diferença do que inferem alguns, transformar os empreiteiros em bichos-papões é que nos impede de chegar à verdadeira natureza do petismo e do estado brasileiro. É claro que eles cometeram crimes. Há uma penca de evidências. Mas eu quero chegar à natureza do fenômeno. Lamento, mas insistir na existência do cartel é que concorre para a impunidade.

Outros pensam coisas diferentes? Que bom, né? Sinal de que, por enquanto, o PT perdeu essa batalha, e a imprensa continua livre. “Ah, ou você defende a prisão preventiva de Marcelo Odebrecht e a existência do cartel, ou não o leio nunca mais…” Então é um favor que ma faz não me ler nunca mais.

Meu blog existe porque sou livre para pensar. Se serve assim, ótimo! Se não serve, paciência!



** Excelente o texto de Reinaldo Azevedo. Guardadas as devidas proporções, me remeti ao trabalho que fazemos em nosso espaço. A verdade sempre dói...e incomoda muito e a muita gente. (Poliglota)

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