domingo, 29 de março de 2015

Assédio sexual e moral nas polícias

Pesquisa diz que 40% das policiais já sofreram assédio sexual ou moral

Maior parte das vezes quem assedia é um superior dentro das próprias corporações. Apenas 11,8% das mulheres nas polícias denunciam abuso.


O trabalho delas é proteger as pessoas. Mas, muitas vezes, são elas que precisam de proteção. Você vai ver o resultado de uma pesquisa inédita sobre assédio contra mulheres policiais dentro de suas próprias corporações. São relatos dramáticos.

Relatos parecidos ecoam pelos corredores das delegacias e quartéis. Mulheres policiais assediadas por outros policiais. De tão frequentes, os casos viraram tema de uma pesquisa inédita do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e da Fundação Getúlio Vargas.

Os dados são sombrios: 40% das entrevistadas disseram já ter sofrido assédio moral ou sexual no ambiente de trabalho. A maior parte das vezes quem assedia é um superior. O levantamento foi feito com mulheres das guardas municipais, pericia criminal, Corpo de Bombeiros e das Policias Civil, Militar e Federal. Tudo de forma anônima. Não à toa. A pesquisa também mostrou que só 11,8% das mulheres denunciam que sofreram abuso.

“Medo da pessoa, medo da minha carreira, medo de ser taxada pelos outros”, afirma uma mulher que não quis se identificar.

Poucas se atrevem a mostrar o rosto. Como Marcela e Katya. Esta semana, elas foram com outras duas colegas à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais para falar sobre o assédio que dizem ter sofrido.

As quatro são policiais militares e alegam terem sido vítimas da mesma pessoa, o Tenente Paulo César Pereira Chagas.

“Sempre esse tenente sempre passava por mim, pelo pátio da companhia e me elogiava. Falava assim: ‘seu sorriso alegra meu dia’, conta Katya Flávia de Queiros, soldado da Polícia Militar. 

“Até que as conversas começaram a ficar mais ousadas”, conta Marcela Fonseca de Oliveira, soldado da Polícia Militar.

“Na época, meu casamento foi totalmente abalado por isso. Passei muita dificuldade. Tive que voltar para casa dos meus pais. Minha vida foi totalmente destruída por causa disso”, relembra Katya.

Foi então que elas entenderam que não eram culpadas pelo assédio e decidiram se unir para denunciar o homem que elas apontam como agressor.
“A gente se sente tão fraca quando está em uma situação dessa’, diz Marcela.

O Fantástico procurou o tenente, mas quem respondeu por ele foi a Polícia Militar de Minas Gerais. Em nota, a PM diz que o assédio é transgressão grave, de acordo com o código de ética e disciplina da corporação.

Mas, até agora, a única punição sofrida pelo tenente foi a transferência do local de trabalho.
“Elas não têm mais o acompanhamento do oficial que dirigiu a elas esses gracejos” diz o comandante da 10º RPM de Patos de Minas/MG, Coronel Elias Saraiva.

“Eles não veem a gente como profissional, como uma militar, como todos os outros. É como se a gente fosse um pedaço de carne. Ou que estivesse lá desfilando para embelezar o quartel”, lamenta Katya.

Em qualquer ambiente de trabalho, casos de assédio sexual e moral são graves. E quando os envolvidos são policiais o desfecho é imprevisível.

“Nosso policial anda armado e de repente pode acontecer uma tragédia”, afirma o presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de MG, Marco Antonio Bahia.

“Nós sabemos que pessoas, tanto homens quanto mulheres que estão na corporação da polícia tem um tom de agressividade a mais do que a população geral”, diz a psiquiatra Alexandrina Meleiro.

“A gente fica atormentada, psicologicamente. Eu cheguei a um ponto que até eu tive vontade de matar”, afirma a vítima que não quis se identificar.

Uma policial militar sofreu durante dois anos calada. Ela é casada e tinha medo que o assédio prejudicasse sua família e sua carreira.

“A pessoa começou a chantagear e ameaçar. Caso eu contasse para alguém, que ele ia reverter a situação contra mim. Ele falou assim: ‘você não tem prova. Você não tem prova nenhuma. Ninguém nunca viu eu fazendo nada’”, conta a vítima.

Até o dia que ela não aguentou tanta pressão.
“Eu estourei, comecei a gritar com ele e falar que ele me assediava o tempo todo, que ele era tarado, que eu estava com medo dele”, relembra a vítima.

Depois de uma investigação interna, a punição aplicada, mais uma vez, foi a transferência para outro quartel.
“E foi tudo muito bem apurado. E foi comprovado o assédio”, conta a vítima.

As mulheres reclamam que não existe um setor específico para receber relatos de abusos sexuais e morais. Ao todo, 48% das policiais afirmam que não sabem exatamente como denunciar. E 68% das que registraram queixa não ficaram satisfeitas com o desfecho do caso.

“Você não tem a quem recorrer. Se todo mundo recorre a polícia, você está dentro da polícia sofrendo assédio, você vai para onde?”, diz uma outra mulher que também não quis ser identificada.
Uma PM do Piauí acusa a polícia de abafar os casos de assédio. “Eles procuram colocar, por ser um meio machista, a culpa na mulher. E não a culpa neles mesmos que são os causadores”, diz.

Segundo a Polícia Militar do estado, nos últimos três anos nenhuma denúncia formal de assédio foi registrada.

“A gente tem que tomar cuidado porque as próprias policiais têm sido vítimas de um crime, e que precisa ser investigado, que precisa ser explicitado”, afirma o pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública Renato Sergio de Lima.

Uma Policial Civil diz que foi assediada durante meses. Ela é da Região Metropolitana de Belo Horizonte e foi trabalhar no interior de Minas logo no começo da carreira. Era a única policial feminina do lugar e passou a ser alvo do delegado da cidade.

“Perguntava se eu queria carona. Se eu queria que ele me levasse pra casa. Eu dizia que não e ele vinha me acompanhando o tempo todo. Até chegar perto de casa. Até no dia em que ele tentou me agarrar”, conta.

A partir daí, o assediador mudou de estratégia.

“Primeiro, eles tentam alguma coisa com você. Quando você fala que não ai eles passam para o assédio moral. Ai você não presta no serviço, você não serve para nada”, conta a vítima.

As marcas do assédio moral para ela é mais grave; ai vem a depressão. Vem até um fenômeno maior que é o suicídio”, conta o presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil/MG, Denilson Martins.

“Você se sente um nada. Você se sente menos que um grão. Você não se sente nada”, lamenta a mulher.

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais afirma que tem um conselho de ética ligado à Corregedoria-geral para acolher qualquer tipo de denúncia, inclusive as de assédio.

“Eu recorri dentro da própria instituição. Foi um erro porque a instituição não fez nada, só colocou panos quentes”, diz a mulher.

“Esse é o grande problema: a quem reclamar. Eu acho que nesta condição a mulher deveria buscar o controle externo das policias que é o Ministério Público”, afirma a secretaria nacional de Segurança Pública Regina Miki.

“Se a gente abaixar a cabeça, coisas como essas podem acontecer com mais gente”, afirma Katya Flávia de Queiros, soldado da Polícia Militar.

Para assistir o vídeo Clique no link abaixo:


Fonte: G1.com

20 comentários:

  1. Uma subtenente foi presa porque discordou com um major em Aguas Claras, e um coronel tarado continua soltinho da silva, nem se quer ficou detido uma hora pra ser ouvido, ainda tem iinocente que acredita em codigo de etica feito por militar, sabe de nada inocente .

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  2. NA PMDF NAO E DIFERENTE E PRECISO DENUNCIAR, O PROBLEMA E QUE PROMOTORES MILITARES TB SAO SUSPEITOS DE ACOBERTAR CERTAS COISAS DENTRO DAS CORPORAÇÕES MILITARES. RECORRER A QUEM. AQUI FUNCIONAR ASSIM SE BONITA SECRETARIA SE FEIA PO, A VERDADE E ESTA. VAMOS DENUNCIAR POLICIAS FEMININAS .

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    1. Disse tudo esse MP militar é uma vergonha

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    2. É muito fácil vir nestes Blogs anonimamente escrever bobagens e tentar denegrir a imagem daqueles que trabalham sério há muitos anos em benefício da sociedade e das próprias instituições militares. Nestes 18 anos de atuação na Promotoria Militar nunca deixamos de denunciar, quem quer que seja, quando demonstrado provas de indícios de autoria e materialidade de um crime. Vários oficiais, dentre eles alguns ex-comandantes-gerais, já responderam ou ainda respondem a processos criminais perante a Auditoria Militar. Porém, muitas vezes nos frustramos com a covardia e/ou corporativismo negativo dos próprios integrantes das instituições militares quando vão prestar depoimento em Juízo. Quem se diz íntegro não pode se calar no momento em que se depara com alguma injustiça ou fato que afeta a Corporação. Além disso, só podemos abrir processo contra alguém se houver o mínimo de provas e muitas das vezes elas não existem. Assim, antes de acusarem as pessoas de prevaricarem, tentem conhecer melhor o trabalho delas e ver o que de fato aconteceu no caso específico. Ninguém é obrigado a gostar de Promotor de Justiça, mas ao menos tenham respeito e honra na hora de fazer algum comentário sem conhecer plenamente os fatos. E caso saibam de algo contra algum Membro do Ministério Público procurem a Corregedoria do MP ou o CNMP. Ninguém é intocável, apenas acham que é até o momento em que se deparam com as consequências de seus atos. Basta ver o que aconteceu no Mensalão e agora está acontecendo na operação Lava-Jato. E se algum de vocês tem algum fato a denunciar, nos procurem na Promotoria Militar. Nunca deixamos de atender militares ou civis que venham a fazer uma denúncia. Ass: Paulo Gomes / Promotor de Justiça do MPDFT há 20 anos e Titular da 2ª Promotoria de Justiça Militar há 18 anos.

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    3. CFSD1995 - REFORMADO1 de abril de 2015 08:35

      Falou bem, Dr Paulo Gomes.

      Tive a honra de vê-lo em atuação no julgamento de um policial militar, inclusive pedindo a atenuação da pena do réu no caso concreto.
      Também já vi o MP Militar requerendo severa penalização para Oficial da PMDF.

      Infelizmente, no seio da PMDF, é comum a difamação, seja de pares ou superiores. Nossos colegas difamam e até caluniam, com a mesma naturalidade com que se troca de roupa. Parece mesmo um ato reflexo, quando acreditam que estão diante de um inimigo, não importa se se trata de par ou superior hierárquico. E, uma das mais corriqueiras e sórdidas é a difamação de cunho sexual. Já vi PM entrar em depressão porque algum covarde inventou que o sujeito era homossexual, e o boato, sem o menor fundamento fático e repetido à exaustão, foi se firmando, mesmo sem qualquer prova, até tornar impossível aquele policial conviver em paz na PMDF. Esse PM me disse que não sabia quem inventou isso, e já pensado em descarregar uma arma em um ambiente fechado, onde encontrasse colegas difamando-o.
      Infelizmente, quando trabalhei, vi isso ocorrer diversas vezes.

      Quanto ao rigor do MP, incluindo o Militar, penso que às vezes há rigor em excesso, talvez por pressão da mídia, como ocorreu no caso NOVACAP, onde um tenente foi denunciado por homicídio pelo MP, mesmo com a fragilidade das provas, e, o referido oficial só não foi condenado, porque teve um competente causídico a patrocinar sua causa.

      No mais, concordo ipsis literais com a prédica do nobre Promotor.

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  3. Situação VERGONHOSA esse assédio sexual e moral nas POLICIA, como consequência disto temos o seguintes desfecho: Mulheres deprimidas, acuadas, lares e casamentos desfeitos, suicídios... E quanto aos ASSEDIADORES estes são promovidos, transferidos e bajulados pelas corregedorias dos respectivos órgãos policiais.

    Cadê os Direitos Humanos para agir em prol dessas mulheres e mães de famílias?

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  4. Novidade já vi homossexuais utilizando de militarismo pra tentar conquistar subordinados.....

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    1. no 4º BPM tem um

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    2. CFSD 1995 - REFORMADO31 de março de 2015 09:04

      A baixaria em nosso meio, com difamações sórdidas como essa de tachar alguém como homossexual, não têm limites mesmo. Realmente, somos o que construímos. Do coronel ao mais moderno soldado.

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  5. CADÊ O CEL TARADO QUE QUASE ESTUPRA AS PM E NÃO DEU NADA, DEPOIS FOI PEGO DEITADO DEBAIXO DE UMA VIATURA EM AGUAS CLARAS BEBADO. ETA PM FALIDA SÓ PARA OS PRAÇAS.

    PARABÉNS POLIGLOTA PELA MATÉRIA, NO CASO DO CEL SE FOSSE PRAÇA ESTAVA NA PAPUDA, SE FOSSE PARENTE MINHA ELE ESTARIA ENTERRADO.

    ASS: PRAÇA TARTARUGA

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  6. Eu acredito. Sou inocente e vou esperar, porque nem preciso de mais valorização.

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  7. Bom dia..
    E por falar nisso o que deu aquele caso do Tc lá em Águas Claras????

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  8. Por que ninguem fala qual foi a punição do coronel que feriu o decoro e pundonor militar por que praça essa e sempre a justificativa pra ir pra rua eu não sei pra que querem um codigo de etica se ja temos um tem que acabar e com o RDE CPM poque so serve pra nos.

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  9. A verdade deveria ser recontada. A imagem que a categoria passa à sociedade é aquela de a Corporação é um lugar bem organizado e exemplar. Pura mentira que se transformou em verdade ao longo dos anos. Por quantos longos e derradeiros anos, a Corporação não viveu este tipo de expediente (assédio)??? Acho que virou tradição. Observei, E NINGUÉM ME CONTOU, os inúmeros casos de assédios à policiais femininas em Cursos de Formação. Às vezes, dava até nojo. Pouco importava se estas profissionais eram CASADAS ou não. Eu percebi que profissionalismo é artigo de luxo em nosso meio. Dou até uma colher de chá se algumas delas temeram pela perda do emprego em outras épocas, mas hoje os tempos são outros. Alô policiais femininas! DENUNCIEM QUAISQUER CASOS DE ASSÉDIOS. Se valorize! Se respeite! Sejamos todos profissionais!

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  10. Todos sabem que as mulheres constantemente sofrem assédio sexual, porém, elas se acovardam e não denunciam, não se sabe se é por medo ou por não quererem perder a sombra que os superiores proporcionam a elas.

    Já os praças do sexo masculino, sofrem diariamente assédio moral, porém, também não denunciam pelo mesmo motivo supramencionado.

    pelo exposto, observa-se que a omissão dos subordinados é parte do problema, sendo coniventes com os superiores criminosos, que cometem o delito de assédio sexual e moral. coragem, denunciem!

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  11. Por falar em assédio moral, mesmo com a publicação no blog do Poliglota, informando que para ser instrutor de direção de urgência e emergência deve-se ser habilitado pelo CONTRAN.

    No 4º BPM (Guará) estão obrigando a tropa a fazer o curso de Urgência e Emergência sem que o instrutor seja credenciado pelo Contran, e ainda, não tem aula prática, o que é um absurdo maior.

    Isso com certeza deve ser medo de uma possível operação tartaruga, mesmo que todos façam o curso sem que os instrutores sejam devidamente habilitados, tal curso não terá validade.

    Poliglota, gostaria de saber a sua opinião, já que você é mais informado e ainda obtém uma ótima assessoria jurídica.

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  12. CADÊ O RESULTADO DO CORONEL TARADO?

    Outra, muitos homossexuais ficam intimidando quem não fica se abrindo pra eles, principalmente os mais novinhos!

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    1. O TC da PMDF Francisco Eronildo Feitoza Rodrigues foi denunciado por tentar agarrar a força duas mulheres em um bar em Vicente Pires, uma garçonete e uma Policial e conforme o DODF de 28 de setembro de 2012 o referido TC foi NOMEADO para exercer o cargo de chefia em analise técnica-jurídica do gabinete do comando geral da PMDF.

      Resumindo: Tá tudo dominado kkkkkkkkkk

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    2. E como prêmio de consolação, foi promovido a CEL FÚ em dezembro de 2014 no apagar das luzes do DESgoverno do PT.

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  13. Assédio?punição? o comando não puniu nem o jack safado que pertence à corporação,imaginem punir um "simples assédio"........acordem senhores !!!!

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