quarta-feira, 19 de março de 2014

Crítica ao pseudocrítico


Existem indivíduos que se escondem numa penumbra cinzenta, autodenominando-se “críticos do sistema”, quando, na verdade, suas atitudes expressam a cômoda indiferença e a plena incapacidade de propor e fazer o novo. A eles não cabe falar em soluções, mas sim apontar os problemas!

Essas pessoas, por não possuírem capacidade intelectual e técnica razoáveis, se satisfazem em repetir citações de terceiros que, pelos seus raciocínios, dizem exatamente aquilo que eles queriam dizer, mas, por razões que só eles podem entender e explicar, não disseram.
Para essas pessoas, as coisas no seu estado atual estão ruins, mas ai de quem ousar alterá-las. Qualquer medida nova (seja ela a criação de UPPs, BCSs, cursos de formação de Cabos, concursos para cursos de formação de Sargentos, cursos para aviação policial, cursos oferecidos pela SENASP, CATE, COESP etc.) representa apenas uma dentre as duas únicas alternativas existentes: estagnação ou retrocesso!

Esse tipo de crítico é aquele que, se não há processos seletivos internos para ascensão na carreira, cursos de aperfeiçoamento ou cursos voltados para a sua atualização profissional na instituição a qual pertence, ele reclama. Porém, se os cursos existem, ele não se inscreve (geralmente ele acha que o seu conhecimento é maior do que aquele que é exigido no edital!), se se inscreve não realiza as etapas seguintes e, pasmem, ainda consegue a proeza de encontrar motivos para desmerecer aqueles que se dedicam aos estudos em busca de uma melhor qualificação pessoal e profissional. São os pobres de espírito!

Ele é um daqueles que passam a maior parte do tempo falando o quanto estão descontentes e decepcionados com a instituição a qual pertencem e que pretendem deixar de integrá-las para ir à busca de “algo melhor”. Porém, passados 30 ou 40 anos de serviço, como não buscaram a qualificação necessária para alçar “vôos maiores”, ainda ocupam espaço na instituição que tanto abominam. Estes são os desprovidos de iniciativa.

Ele é um exímio descobridor das razões pelas quais o Estado está investindo (claro, quando o Estado faz isto!) em qualificação profissional: “vou virar chofer de político”; “é para me bitolar”; “é para que eu passe a perseguir e dedurar os meus colegas”; “é para me explorar mais ainda”; “é para controlar o meu serviço”. Sim, ele também é dotado do poder de premonição!

Por fim, existem aqueles que se descobriram críticos do sistema quando foram alijados das funções que exerciam em gestões anteriores ou quando foram transferidos para a reserva ou aposentados. De repente, não mais que de repente, se veem dotados de uma capacidade de análise nunca antes exercida. O sistema de segurança pública, dada a profusão na qual surgem “analistas e consultores de segurança pública” é um ambiente fértil para o aparecimento desse tipo de crítico.

Caso queiramos identificar qualquer um desses pseudocríticos, após ele fazer mais uma brilhante constatação de um problema, perguntemos a ele: “qual solução você propõe?”. Ele responderá algo parecido com: “a mim não compete encontrar as soluções, quem deve fazer isso é quem recebe para tal! Eu apenas direciono os holofotes, aponto o dedo, identifico os culpados, jogo para a galera…!”

A crítica é o exercício da capacidade de julgar, analisar fatos, detectar problemas, propor soluções. É um passo indispensável no processo de construção do novo. Porém, a crítica desprovida de argumentos válidos, minimamente lógicos e que não propõe mudanças factíveis, ou seja, a crítica pela crítica, a crítica vazia, fere o bom senso, beira a simples difamação, demonstra incapacidade de raciocínio e ridiculariza aquele que a propaga.clique aqui


Fonte: Abordagem Policial

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